Desatina, sabe-se todo,
Se desatina o destino,
Nem se é velho nem se é novo.
E a barca que vem sem rio,
Navega a vida da morte,
Até à margem da noite em frio,
E quase tudo o que foi, lhe calha em sorte.
No quebrar da clepsidra,
Pára no sempre os ponteiros,
Um a um vai navegando,
À terra dos últimos,...dos primeiros.
Chega mais cedo que os gritos,
"Antes" do que o faro irracional pressente,
O destino desatina,
E leva o todo da gente.
Mas se houve deuses de alma, carne e fogo,
Os seus dedos os não alcançam,
Só esta estirpe lhe escapa,
À perene terra do gelo, Onde só os bravos não descansam.
Óscar Dinis

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