domingo, 5 de agosto de 2012

A família.


A família.



Hoje as poucas nuvens brancas estão demasiado baixas e transparentes, rasando as ervas das terras altas, lá no cimo, ao longe.O céu é de azul intenso refletido nas águas de um mar manso e de olhar imenso. Escamas brilham às costas das ondas brandas enquanto eu acendo um cigarro, sentado num bote sem remos, calmo e incluso.
Não vim à pesca. Não gosto! Vim pensar em nada, enquanto tudo o que sinto à costa vai dando além da água que se derrama na areia, num doce e perpétuo fatalismo. Apenas quero paz. Quero apenas fazer parte e pensamento. Sem interferir, sem ferir, sem querer algo mais do que as bátegas dóceis no dorso do meu corcel de madeira a meio mar ancorado.Vim dar umas passas com deus, e outra vez, e nova vez, dou comigo, comigo e fico para saber como vou indo . Depois, mais logo, levanto amarra e farei uma fogueira quase à beira mar e vou abrir as lendas vindas pelo vento e pelo crepitar das lenhas, e ver os seus pós brilhantes a acamar o caminho do som da minha viola até às estrelas do mar e do céu das estrelas de onde vim. De madrugada, bem cedo, retomo a jornada e o silencio nas lágrimas matinais do orvalho. Estendo-me a boiar pela enseada a mirar gaivotas sem o tal azul do céu de uma quase manhã ainda sem sol visível.
Não me apetece companhia. Quero estar comigo. Ninguém tem nada a ver com isto. Eu e a minha pessoa quando nos encontramos temos sempre contas para ajustar e acertar, e momentos cheios de tanto, que completam os momentos dos outros dias esvaziados de tudo.
Não! Não me apetece abraçar ninguém. Ontem não. Hoje também não. Amanhã abraçarei poucos, cuidarei de alguns e voltarei ao mundo, logo que me possa e consiga resolver.

Amanhã vou massajar-vos os pés e dizer-vos que a minha ausência foi de aventuras épicas rodeadas de males e perigos que venci heroicamente. Vais orgulhar-te de mim e sorrir, não de troça, e adorar a massagem e a mensagem. Porque em todos os “Palácios” com que vos tento encantar sois as princesas e o principe que amo. E isso chega-vos!

Óscar Dinis

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