sábado, 22 de fevereiro de 2014
Avo
Quando as folhagens
Dos sóis de outono
Te vierem suplicar a minha alma,
Esvoaçado e breve
Me encontrarás...avo de chuva.
Esculpido em mim, crú de vontades...
Mostrar-te-ei o meu olhar
De noites todas desfolhadas...
Nada terás de "teu" para lhes mostrar,
Senão ramos nús, tua morada.
Quando irromperem os teus olhos
Destas águas, Não voltarás de peito aceso
Às madrugadas.
Nas tuas mãos sedentas dos invernos todos declinadas,
Entenderás que de mim e de ti, não era nada.
Quando as folhagens
Dos sóis de outono
Te vierem suplicar a minha alma,
Alagado e cheio, reclamar-me-ão de novo as primaveras!
Óscar Dinis
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